quinta-feira, 19 de abril de 2012

Todo dia é dia de índio
























Hoje é dia do índio.

Não conhecia muito o movimento indigenista de nosso país, a não ser pelas lentes deturpadas e pelas linhas alteradas das mídias e jornais de nosso Brasil. Até que minha visão mudou desde que li o livro "Uma jornada no Tempo" que por uma grande acaso do destino vim a adquirir na Bienal do livro em 2011.

Estava no stand da Record procurando livros para meus filhos quando o autor do livro nos abordou e começamos a conversar. Luiz Filipe Tsiipré mostrou-se uma pessoa simples e de uma rica sabedoria a respeito dos índios pois durante anos experimentou a convivência com os índios de nossa terra e também dos Estados Unidos e aprendeu lições valiosas que creio ser impossível mensurar.

Comprei seu livro e o deleitei com um prazer coadjuvante pois foi assim que me senti ao participar das narrações de suas aventuras auto-biográficas a respeito da convivência com esses povos, sua busca pessoal por uma direção espiritual, as questões políticas que envolvem o tratamento aos índios de nosso país, entre outros detalhes que só lendo para se deliciar.

Hoje, sendo dia do índio, lembrei do livro, lembrei dos relatos das lutas a favor desse lindo povo que é parte do que somos, e lembrei com tristeza que a vida deles não está nada melhor que antes e que são vítimas de preconceitos, julgamentos deturpados e absurdos a respeito de suas formas de viver.

Tenho a felicidade de ter uma amiga que conviveu com uma aldeia de índios no Acre por semanas e que sentiu-se religada a Natureza, a Deus e as mais valiosas virtudes enquanto conviveu com eles. Isso para mim é um testemunho que fala mais do que essas visões deturpadas que vemos por aí. E ai eu pergunto se seríamos nós os atrasados e os índios os evoluídos.

Sei que muitos vivem na marginalidade, pelo choque cultural em que se encontram, inseridos numa cultura de competição quando ainda sobrevivem de forma comunitária em suas Aldeias. Diariamente empurrados para terras improdutivas que muitos dizem ser "o melhor para eles", lhes restando a caça e pesça silvestre sem menor condição de uma agricultura familiar ou pecuária de subsistência.

Triste saber que são vítimas da violência daqueles que querem seus territórios, com o pretexto do progresso e que violam os princípios básicos de cuidado com a Terra.

O etnocentrismo é uma das formas mais cruéis de exercer preconceito pois quando colocamos nossa cultura e crenças acima e melhor do que aqueles não conhecemos, sequer convivemos, estamos na contra mão dos ensinamentos de amor, respeito e harmonia entre os povos pregado por tantas religiões e movimentos políticos pacifistas.

Julgar sem conhece-los, sem conviver dentro de suas culturas, sem trocar conhecimento é muito fácil. Aliás é o que o homem "civilizado" mais faz! Julga a partir do que acha que é certo, não se permite abrir para novos conhecimentos, e com sua arrogância ariana "civilizada" empurra para a marginalidade todos aqueles que não são "normais" como eles.

Está na hora, nesse novo milênio, nova Era e neste momento de Transmigração de termos uma atitude mais aberta a ouvir o que outros povos tem a dizer sobre si, e parar de achar que nós somos os donos da história. Além de clichê e brega, esse discurso de superioridade racial já caiu de moda há muito tempo!!!!!

Por isso, vamos celebrar esse dia, com o desejo sincero que esses irmãos sejam ser mais respeitados e valorizados em nosso país!!!!


Nenhum comentário:

Postar um comentário