sexta-feira, 25 de maio de 2012

Encontros e Despedidas



Hoje ouvi "Encontros e Despedidas", de Milton Nascimento, na voz de Maria Rita (vídeo abaixo) e a letra me tocou.

A letra é maravilhosa. A primeira vista parece triste, até compreender melhor o seu significado. A metáfora da vida como uma estação de trem, com suas idas e vindas, chegadas e partidas é linda. E foi então que senti o desejo de escrever sobre os encontros e despedidas que todos enfrentamos em algum momento. Às vezes com amor, às vezes com dor.

"Tem gente que chega pra ficar"

Há encontros que são para sempre, daqueles de almas gêmeas, de almas fraternas, almas irmãs, amigas e queridas. Gente que chega para nunca mais sair de nossa estação.

"Tem gente que vai pra nunca mais"

Há encontros que terminam em despedidas definitivas, talvez de forma dolorida mas muitas vezes necessárias, e até aliviadoras. Quantas despedidas definitivas tivemos, necessárias para dar fim um momento de nossas vidas?

"Tem gente que vem e quer voltar"

Há aqueles encontros de quem vem até nós, como  visitante que se agrada, se afeiçoa, e mesmo após partir, quer um dia voltar, porque de alguma forma sabe que somos uma estação segura para estar.

"Tem gente que vai e quer ficar"

Há despedidas forçadas pelo destino, que levam embora gente que aprendeu a gostar de nós, mas que não pode mais ficar porque já deu sua hora de partir.
Despedida com gosto eterno de saudade.

"Tem gente que veio só olhar." 

Há encontros instantâneos, como quem desce na estação numa parada rápida para reabastecer-se e da mesma forma que chega, rapidamente se vai, como quem olha para estação apenas como mais um lugar que esteve, sem lembrar amanhã ao certo qual era.

"Tem gente a sorrir e a chorar"

Há encontros que nos emocionam e alegram. Há despedidas que nos fazem sorrir, deixando saudade e aquelas que nos fazem chorar, deixando dor.

"E assim, chegar e partir são só dois lados da mesma viagem
O trem que chega é o mesmo trem da partida. 
A hora do encontro é também de despedida.
A plataforma dessa estação é a vida desse meu lugar. 
É a vida desse meu lugar!
É a vida!!!!"

E nessas chegadas e partidas, o trem que traz os que nos encontram, é o mesmo que leva os que se despedem. 

E este é o movimento próprio da estação, da vida, que não pode parar. 

Dinâmico. Rítmico. É o que dá sentido e rumo. 

É o que nos enriquece, nos faz crescer e amadurecer.

Viver é permitir-se encontrar e também é saber despedir-se.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Estou podando o meu jardim!

Hoje tive a felicidade de ouvir pela primeira vez uma música do Vander Lee chamada Meu Jardim. Uma verdadeira poesia, como sempre as músicas desse excelente compositor são.

A letra fala sobre reler a alma, os amores, rever a vida, a luta, os valores, refazer as forças, as fontes, os favores, regar as folhas, as faces, as flores, limpar a casa, a cama, o quartinho, soprar a brasa, a brisa, beber as culpas, os venenos, o vinho, escrever cartas, o começo, o caminho, podar o jardim, enfim, cuidar bem de si.

Uma linda poesia musicada que fala de algo que cedo ou tarde qualquer um de nós precisa fazer: rever-se, cuidar-se, reconstruir-se.

Seja pela dor, pelo dissabor, pelo marasmo, e até pelo amor, esse zelo e cuidado com nosso jardim interior é algo que muitas vezes adiamos, por conta dos condicionamentos a que nos submetemos, sempre buscando agradar o mundo exterior, esquecendo que o mundo de dentro é o que precisa ser o mais agradado.

Não que seja uma postura egoísta olhar para si e esquecer-se dos outros. Falo aqui é do amor por próprio, que muitas vezes é negligenciado no dia a dia justamente porque desejamos nos sentir amados, aceitos, respeitados.

Essa ânsia por aceitação, pelo amor do outro, muitas vezes nos faz esquecer os lindos campos floridos que temos dentro de nós, e aí deixamos de poliniza-lo impedindo que outras extensões de nós mesmos também floresçam.

Tive algumas experiências passadas em que vivi excessivamente focada fora, nos outros, buscando de alguma forma preencher um vazio interior, e doei-me exaustivamente a essa busca exterior, até exaurir as forças emocionais e cair em depressão.

Percebi o vale frio, seco e sombrio em que me encontrava, e confesso acreditava piamente que a vida era cinza e escura, e havia perdido seu colorido, havia perdido a esperança de que um dia veria tudo tão alegre e florido dentro de mim, como fora antes. 

Não culpo a ninguém pelo que me aconteceu a não ser a essa falsa ilusão de buscar do lado de fora algo que só dentro de mim é que encontraria.

Sofri dissabores, decepções, mágoas, que me fizeram sentir alguém sem valor, sem auto-estima, mal amada, indesejada, sem alegria verdadeira, apesar das tentativas esforçadas de transparecer uma alegria que não sentia, uma auto-confiança que já não tinha.

Felizmente, existiam ao meu lado abelhinhas polinizadoras que sabiam que lá dentro de mim haviam flores lindas que precisavam ser cuidadas, regadas, podadas, e a partir disso, encontrei forças que me ajudaram a reconstruir meu jardim interior. E a eles devo minha eterna gratidão:  familiares, amigos antigos e novos amigos que foram surgindo enquanto eu aprendia a cuidar do meu jardim.

Foram momentos intensos e profundos de reconstrução e ainda são, pois quem não quer extender seu jardim florido para os lugares mais hinóspitos de si mesmo ??? Não é para isso que estamos neste plano? Evoluir ou expandir nossos jardins? rs rs rs

E hoje, ouvindo esta música, mergulhei na sua metáfora tão visceral e percebi o quanto eu cresci e floresci novamente, o quanto eu podei o que devia ser podado, com coragem e força, eliminando as ervas daninhas que sufocavam minhas flores e desta vez aprendendo a cuidar com mais atenção, para que ao menor sinal de alerta, eliminar toda e qualquer ameaça ao meu florescer. Até isso aperfeiçoei, pois antes não percebia essas ervas e tão pouco tinha coragem de corta-las.

Hoje estou assim, atenta ao meu jardim, impedindo que alguém o pise, ou o sufoque. Impedindo que fique seco, improdutivo, embora este cuidado seja ainda um aprendizado a qual tenho me submetido diariamente.

E penso que quantas vezes no envolvemos em relaciomanetos, seja afetivo ou de amizade, ou até em situações que nos impedem de ter este cuidado conosco em nome de uma aceitação de idéias, de valores, de afetos, de amizades. Não que devamos viver longe das pessoas ou ignorá-las, mas acho que devemos cuidar dos nossos jardins em primeiro lugar, para que as mais belas borboletas e abelhas venham até ele e aquelas ervas se afastem. Assim já dizia Mario Quintana no seu poema Borboletas:

Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você. O segredo é não correr atrás das borboletas… É cuidar do jardim para que elas venham até você.
Então vamos cuidar de nosso jardim, hoje e sempre e florescer o que melhor existe em nós!!! ;-)

Paz, Luz e flores para todos

Raquele




sábado, 12 de maio de 2012

Amo você!!!



Amor!

O sentimento que invade meu coração hoje! 

Então se você leu isso, saiba que amo você! ;-) 

Porque fui feita para amar, condicionada a sorrir, inspirada a abraçar!! E porque dentro do peito um grito de amor explode e grito ao mundo: AMO VOCÊ.

Ainda que ao longo da vida, das relações, dos desacertos e dos tombos, eu tenha deixado esse dom ser sufocado pela dor da incerteza, da mágoa, da tristeza, jamais deixei de amar.

E de tantos amores, todos me invadem hoje porque saem da mesma raiz, o puro amor.

Amor de bebê, que olha para a mãe com olhar de doçura e fé autêntica, o primeiro grande amor incondicional. 

Amor de filha, que olha para o pai com olhar de confiança e reverência, o primeiro amor devocional.

Amor de criança, que se esbalda alegre com uma brincadeira, amor singelo, alegria plena e pura que inspira. O amor à vida!!!

Amor de irmã, que cresce competindo a atenção, compartilhando o espaço, dividindo as idéias, pensamentos e sonhos, divergindo e brigando, compartilhando as dores e os sabores da vida familiar. O primeiro amor compartilhado, apesar das diferenças.

Amor de adolescente, que ama seus amigos lhes devotando profunda cumplicidade, cuidado e respeito, numa entrega sincera e carinhosa por aqueles que são seus irmãos não consaguíneos. O amor ao grupo.

Amor de jovem, que se apaixona, que entranha no corpo, que estremece a alma, que inebria a mente, que explode num extase, doando-se a outro que igualmente lhe retribui, unindo-se num só. O amor que gera vida.

Amor de mãe, que implora a Deus por uma vida em seu ventre, que recebe a missão mais fantástica da vida, que sofre com dores para parir, que sorri chorosa ao ver seu rostinho pela primeira vez, que se entrega a missão dos primeros anos, esquecendo-se de si mesma,  para orientar um novo ser a seguir uma nova vida.

Amor de mulher, que nos encontros da vida aprende a ver nos olhos de cada um com que cruza o colorido de suas almas,  a porção boa, a  fé, a Luz, o mesmo amor refletido. 

E por isso ama, ama, ama, e não quer parar de amar, porque a vida não vale a pena se não tivermos a coragem de assumir o quanto essa troca é necessária e importante.

Então só posso dizer o quanto amo você, profundamente, com todo o meu ser. Porque  amar me faz bem, porque amar você é mandamento ordenado. 

Amar você é amar a Deus.

Por isso, eu amo você!!!!

(E nada como uma música visceral que fala de amor puro, como Djavan para musicalizar este texto de puro amor!!! "Um amor puro não sabe a força que tem" ;-)

Raquele Braga