quarta-feira, 25 de julho de 2012

Ame e deixe fluir

Aos 38 anos, cheguei a conclusão que é impossível racionalizar o amor. 
Como racionalizar um sentimento tão sutil que transcende o plano físico? 
O amor está muito além daquilo que vemos e tocamos. 
Amamos com os pensamentos e o "coração" e para isso não é preciso que haja o toque das mãos, o som da voz ou o reflexo dos olhos. 
Simplesmente AMA-SE com a alma mais até do que com o corpo.
No fim o que resta é reconhecer e aceitar este sentimento e apenas deixa-lo fluir de volta o Universo, desejando o BEM a quem se ama mesmo que distante, com desapego. 
Simples assim :-) 
Fim do Momento Clarice Lispector Budista inspirada pela letra de Hebert Viana he he he he  
A letra é simplesmente uma linda poesia de amor!!!! Linda demais!!!



Meu coração, sem direção
Voando só por voar
Sem saber onde chegar
Sonhando em te encontrar
E as estrelas
Que hoje eu descobri
No seu olhar
As estrelas vão me guiar
Se eu não te amasse tanto assim
Talvez perdesse os sonhos
Dentro de mim
E vivesse na escuridão
Se eu não te amasse tanto assim
Talvez não visse flores
Por onde eu vim
Dentro do meu coração
Hoje eu sei, eu te amei
No vento de um temporal
Mas fui mais, muito além
Do tempo do vendaval
Nos desejos
Num beijo
Que eu jamais provei igual
E as estrelas dão um sinal
Se eu não te amasse tanto assim
Talvez perdesse os sonhos
Dentro de mim
E vivesse na escuridão
Se eu não te amasse tanto assim
Talvez não visse flores
Por onde eu vim
Dentro do meu coração

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Resenha de Branca de Neve e o Caçador









Depois que morre a esposa do Rei, ele casa com uma bela mulher (a Rainha Má), dona de um espelho sem aço (sem zoação o espelho não tem aço rsrsrs), que o mata na noite de núpcias assumindo o reino e tornando tudo muito negro, escuro, seco e frio. Um verdadeiro cenario trevoso.

A Rainha Má, com síndrome de Highlander (só pode haver uma) e com muita baixo auto-estima (afinal acreditar que a outra lá era mais bonita do que ela só sendo muito insegura mesmo!!), contrata Thor, o caçador (versão sem martelo mas com machado) para caçar a namorada do Vampiro Edward (Bella, a Branca de Neve).

Bella de Neve, com medo de ter seu coração dilacerado (literalmente e não figurativamente), com ajuda de passarinhos (se eu contar como perde a graça)  foge para a Floresta Negra (que nada lembra aquela torta delicosa de chocolate que todo mundo adora).

Na floresta, um pozinho muito suspeito e alucinógeno faz Bella de Neve ter uma "onda" meio pesada e a ver os monstros de sua "sombra".

Thor, o caçador, já acostumado aquele "pozinho suspeito", consegue achar Bella de Neve, e logo que a vê, apaixona-se por sua cara de prisão de ventre (sim porque a atriz só tem essa cara de quem está há dias sem ir ao banheiro) e esquece de persegui-la.

Então ambos fogem dos soldados da Rainha Má  (má, muito má mesmo além da conta) e conseguem sair da floresta, indo parar em uma comunidade só de mulheres que não conhecem Renew da Avon (aquele que deixa a pela igual a bumbum de bebê), e estas, por terem uma pele tão feia, felizmente não foram mortas pela Rainha Má (má, muito má mesmo além da conta).

Como é típico acontecer com todo mundo que ajuda a personagem principal, a mulherada sofre um ataque dos soldados que tacam fogo em suas casas, e elas são obrigadas a fugir deixando Bella de Neve e Thor, o caçador, seguirem seu caminho em busca do Duque que os ajudará (afinal todo filme sempre tem algum lugar onde pessoas irão ajudar a personagem principal mas até chegar lá muita M acontece).

Na fuga, Bella de Neve e Thor, o Caçador, encontram os 7 anões (todos provavelmente recém saídos de algum circo falido tal a má aparencia deles que nada lembram aqueles do desenho classico de Disney). Os Anões levam os dois para uma floresta encantanda (provavelmetne depois de darem algum chazinho de cogumelo para eles já que a floresta estava cheia de doendes, fadas, e seres encantados e tudo muito colorido.

Os soldados conseguem acha-los lá, mas um amigo de infância de Bela de Neve (e filho do Duque) os encontra e os salva. E juntamente com os Anões e Thor, o Caçador, eles seguem o caminho que os levará para o Duque.

A Rainha Má (má, muito má mesmo, não to brincando não, ela é má demais, lembra a personagem que a Charlize Teron fez em Monster??? Pior!), enfim a Rainha Monster já de saco cheio da incompetência dos seus soldados (sim, eles sempre são incompetentes em pegar a mocinha pra manter o suspense do filme), e usando sua magia negra (e poe negra nisso porque ela é muito má mesmo, não to zoando!) enfim a Rainha Monstrer  transforma-se no filho do Duque e quando Bela de Neve passeia pela neve tocando as árvores secas e mortas como se estivesse vendo um lindo jardim de tulipas francesas, a Rainha Monster disfarçada entrega uma maça envenenada para Bela de Neve, que acaba comendo e claro tendo um peripaque e caindo durinha na neve.

O filho do Duque até tenta dar um beijo em Bela de Neve para salva-la, mas ele provavelmente não era bom de boca porque Bela de Neve continuou durinha morta no chão.

Agora que a Bela de Neve estava mortinha, finalmente encontram o Duque. Agora que é tarde e Bela é morta, Thor o caçador,   visita onde o corpo dela está sendo velado e finalmente dá um beijo daqueles (por que demorou tanto meu filho?????).

Bela de Neve acorda como vampira (vem ai, Amanhecer Parte 2, não percam), quer dizer, Bela de Neve acorda toda revoltadinha, dá uns gritos de ordem e reune todos para a batalha com a Rainha Monster.

Durante o caminho, é claro que metade do exercito morre com os ataques dos soldados da Rainha Monster, batalhas se seguem, bla bla bla, aquele climão de luta e tal, e finalmente Bela de Neve, vestida de armadura ataca a Rainha Monster, não sem antes tomar umas belas porradas que sinceramente não sei como ela conseguiu ficar de pé depois da primeira.

Enfim, finalmente Bela de Neve, que aprendeu com seu amado Thor, o caçador, a deferir um golpe certeiro com uma faca, finalmente fura a Rainha Monster que finalmente morre, para NOSSA ALEGRIAAAAAAA.

Bela de Neve assume novamente o reinado e tudo fica verde, colorido e flores lindas voltam a crescer pelos campos, todos a sorrir, e Bela de Neve  finalmente se vê livre da sua prisão de ventre, conseguindo até esboçar um sorriso de quem acabou de peidar (desculpe a escatologia mas a cara foi exatamente essa que atriz fez, segundo meu querido maridinho bem colocou rs rs rs).

E assim todos viveram felizes para sempre! Vampiros, lobisomens, Thor e Branca de Neve!

FIM

 

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Encontros e Despedidas



Hoje ouvi "Encontros e Despedidas", de Milton Nascimento, na voz de Maria Rita (vídeo abaixo) e a letra me tocou.

A letra é maravilhosa. A primeira vista parece triste, até compreender melhor o seu significado. A metáfora da vida como uma estação de trem, com suas idas e vindas, chegadas e partidas é linda. E foi então que senti o desejo de escrever sobre os encontros e despedidas que todos enfrentamos em algum momento. Às vezes com amor, às vezes com dor.

"Tem gente que chega pra ficar"

Há encontros que são para sempre, daqueles de almas gêmeas, de almas fraternas, almas irmãs, amigas e queridas. Gente que chega para nunca mais sair de nossa estação.

"Tem gente que vai pra nunca mais"

Há encontros que terminam em despedidas definitivas, talvez de forma dolorida mas muitas vezes necessárias, e até aliviadoras. Quantas despedidas definitivas tivemos, necessárias para dar fim um momento de nossas vidas?

"Tem gente que vem e quer voltar"

Há aqueles encontros de quem vem até nós, como  visitante que se agrada, se afeiçoa, e mesmo após partir, quer um dia voltar, porque de alguma forma sabe que somos uma estação segura para estar.

"Tem gente que vai e quer ficar"

Há despedidas forçadas pelo destino, que levam embora gente que aprendeu a gostar de nós, mas que não pode mais ficar porque já deu sua hora de partir.
Despedida com gosto eterno de saudade.

"Tem gente que veio só olhar." 

Há encontros instantâneos, como quem desce na estação numa parada rápida para reabastecer-se e da mesma forma que chega, rapidamente se vai, como quem olha para estação apenas como mais um lugar que esteve, sem lembrar amanhã ao certo qual era.

"Tem gente a sorrir e a chorar"

Há encontros que nos emocionam e alegram. Há despedidas que nos fazem sorrir, deixando saudade e aquelas que nos fazem chorar, deixando dor.

"E assim, chegar e partir são só dois lados da mesma viagem
O trem que chega é o mesmo trem da partida. 
A hora do encontro é também de despedida.
A plataforma dessa estação é a vida desse meu lugar. 
É a vida desse meu lugar!
É a vida!!!!"

E nessas chegadas e partidas, o trem que traz os que nos encontram, é o mesmo que leva os que se despedem. 

E este é o movimento próprio da estação, da vida, que não pode parar. 

Dinâmico. Rítmico. É o que dá sentido e rumo. 

É o que nos enriquece, nos faz crescer e amadurecer.

Viver é permitir-se encontrar e também é saber despedir-se.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Estou podando o meu jardim!

Hoje tive a felicidade de ouvir pela primeira vez uma música do Vander Lee chamada Meu Jardim. Uma verdadeira poesia, como sempre as músicas desse excelente compositor são.

A letra fala sobre reler a alma, os amores, rever a vida, a luta, os valores, refazer as forças, as fontes, os favores, regar as folhas, as faces, as flores, limpar a casa, a cama, o quartinho, soprar a brasa, a brisa, beber as culpas, os venenos, o vinho, escrever cartas, o começo, o caminho, podar o jardim, enfim, cuidar bem de si.

Uma linda poesia musicada que fala de algo que cedo ou tarde qualquer um de nós precisa fazer: rever-se, cuidar-se, reconstruir-se.

Seja pela dor, pelo dissabor, pelo marasmo, e até pelo amor, esse zelo e cuidado com nosso jardim interior é algo que muitas vezes adiamos, por conta dos condicionamentos a que nos submetemos, sempre buscando agradar o mundo exterior, esquecendo que o mundo de dentro é o que precisa ser o mais agradado.

Não que seja uma postura egoísta olhar para si e esquecer-se dos outros. Falo aqui é do amor por próprio, que muitas vezes é negligenciado no dia a dia justamente porque desejamos nos sentir amados, aceitos, respeitados.

Essa ânsia por aceitação, pelo amor do outro, muitas vezes nos faz esquecer os lindos campos floridos que temos dentro de nós, e aí deixamos de poliniza-lo impedindo que outras extensões de nós mesmos também floresçam.

Tive algumas experiências passadas em que vivi excessivamente focada fora, nos outros, buscando de alguma forma preencher um vazio interior, e doei-me exaustivamente a essa busca exterior, até exaurir as forças emocionais e cair em depressão.

Percebi o vale frio, seco e sombrio em que me encontrava, e confesso acreditava piamente que a vida era cinza e escura, e havia perdido seu colorido, havia perdido a esperança de que um dia veria tudo tão alegre e florido dentro de mim, como fora antes. 

Não culpo a ninguém pelo que me aconteceu a não ser a essa falsa ilusão de buscar do lado de fora algo que só dentro de mim é que encontraria.

Sofri dissabores, decepções, mágoas, que me fizeram sentir alguém sem valor, sem auto-estima, mal amada, indesejada, sem alegria verdadeira, apesar das tentativas esforçadas de transparecer uma alegria que não sentia, uma auto-confiança que já não tinha.

Felizmente, existiam ao meu lado abelhinhas polinizadoras que sabiam que lá dentro de mim haviam flores lindas que precisavam ser cuidadas, regadas, podadas, e a partir disso, encontrei forças que me ajudaram a reconstruir meu jardim interior. E a eles devo minha eterna gratidão:  familiares, amigos antigos e novos amigos que foram surgindo enquanto eu aprendia a cuidar do meu jardim.

Foram momentos intensos e profundos de reconstrução e ainda são, pois quem não quer extender seu jardim florido para os lugares mais hinóspitos de si mesmo ??? Não é para isso que estamos neste plano? Evoluir ou expandir nossos jardins? rs rs rs

E hoje, ouvindo esta música, mergulhei na sua metáfora tão visceral e percebi o quanto eu cresci e floresci novamente, o quanto eu podei o que devia ser podado, com coragem e força, eliminando as ervas daninhas que sufocavam minhas flores e desta vez aprendendo a cuidar com mais atenção, para que ao menor sinal de alerta, eliminar toda e qualquer ameaça ao meu florescer. Até isso aperfeiçoei, pois antes não percebia essas ervas e tão pouco tinha coragem de corta-las.

Hoje estou assim, atenta ao meu jardim, impedindo que alguém o pise, ou o sufoque. Impedindo que fique seco, improdutivo, embora este cuidado seja ainda um aprendizado a qual tenho me submetido diariamente.

E penso que quantas vezes no envolvemos em relaciomanetos, seja afetivo ou de amizade, ou até em situações que nos impedem de ter este cuidado conosco em nome de uma aceitação de idéias, de valores, de afetos, de amizades. Não que devamos viver longe das pessoas ou ignorá-las, mas acho que devemos cuidar dos nossos jardins em primeiro lugar, para que as mais belas borboletas e abelhas venham até ele e aquelas ervas se afastem. Assim já dizia Mario Quintana no seu poema Borboletas:

Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você. O segredo é não correr atrás das borboletas… É cuidar do jardim para que elas venham até você.
Então vamos cuidar de nosso jardim, hoje e sempre e florescer o que melhor existe em nós!!! ;-)

Paz, Luz e flores para todos

Raquele




sábado, 12 de maio de 2012

Amo você!!!



Amor!

O sentimento que invade meu coração hoje! 

Então se você leu isso, saiba que amo você! ;-) 

Porque fui feita para amar, condicionada a sorrir, inspirada a abraçar!! E porque dentro do peito um grito de amor explode e grito ao mundo: AMO VOCÊ.

Ainda que ao longo da vida, das relações, dos desacertos e dos tombos, eu tenha deixado esse dom ser sufocado pela dor da incerteza, da mágoa, da tristeza, jamais deixei de amar.

E de tantos amores, todos me invadem hoje porque saem da mesma raiz, o puro amor.

Amor de bebê, que olha para a mãe com olhar de doçura e fé autêntica, o primeiro grande amor incondicional. 

Amor de filha, que olha para o pai com olhar de confiança e reverência, o primeiro amor devocional.

Amor de criança, que se esbalda alegre com uma brincadeira, amor singelo, alegria plena e pura que inspira. O amor à vida!!!

Amor de irmã, que cresce competindo a atenção, compartilhando o espaço, dividindo as idéias, pensamentos e sonhos, divergindo e brigando, compartilhando as dores e os sabores da vida familiar. O primeiro amor compartilhado, apesar das diferenças.

Amor de adolescente, que ama seus amigos lhes devotando profunda cumplicidade, cuidado e respeito, numa entrega sincera e carinhosa por aqueles que são seus irmãos não consaguíneos. O amor ao grupo.

Amor de jovem, que se apaixona, que entranha no corpo, que estremece a alma, que inebria a mente, que explode num extase, doando-se a outro que igualmente lhe retribui, unindo-se num só. O amor que gera vida.

Amor de mãe, que implora a Deus por uma vida em seu ventre, que recebe a missão mais fantástica da vida, que sofre com dores para parir, que sorri chorosa ao ver seu rostinho pela primeira vez, que se entrega a missão dos primeros anos, esquecendo-se de si mesma,  para orientar um novo ser a seguir uma nova vida.

Amor de mulher, que nos encontros da vida aprende a ver nos olhos de cada um com que cruza o colorido de suas almas,  a porção boa, a  fé, a Luz, o mesmo amor refletido. 

E por isso ama, ama, ama, e não quer parar de amar, porque a vida não vale a pena se não tivermos a coragem de assumir o quanto essa troca é necessária e importante.

Então só posso dizer o quanto amo você, profundamente, com todo o meu ser. Porque  amar me faz bem, porque amar você é mandamento ordenado. 

Amar você é amar a Deus.

Por isso, eu amo você!!!!

(E nada como uma música visceral que fala de amor puro, como Djavan para musicalizar este texto de puro amor!!! "Um amor puro não sabe a força que tem" ;-)

Raquele Braga

















terça-feira, 24 de abril de 2012

Ilumina!!!!

Um pedido forte, simples e necessário!!!
Sol, Lua, Estrela possam sempre me Iluminar e a todos que passarem neste porto!
Bjs de muita luz





Oh, grandioso sol, sol central
Oh, grandioso sol, sol central
Ilumina, ilumina, ilumina, ilumina

Oh, grandiosa lua no céu
Oh, grandiosa lua no céu
Ilumina, ilumina, ilumina, ilumina

Oh, grandiosa estrela do céu
Oh, grandiosa estrela do céu
Ilumina, ilumina, ilumina, ilumina

Oh, grandiosa rainha da floresta
Oh, grandiosa rainha da floresta
Ilumina, ilumina, ilumina, ilumina

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Eu Sou

"Sou Eu quem fiz este universo acontecer..." 


Não preciso falar mais nada sobre essa pérola musical de Flavia Wenceslau como sempre iluminada e divinamente inspirada!!! 


Simplesmente amo música com boa melodia e boa mensagem!!! E Flavia é uma unanimidade em cada composição! Alegra ainda mais meu dia e espero que alegre quem visitar este porto também :-)


quinta-feira, 19 de abril de 2012

Todo dia é dia de índio
























Hoje é dia do índio.

Não conhecia muito o movimento indigenista de nosso país, a não ser pelas lentes deturpadas e pelas linhas alteradas das mídias e jornais de nosso Brasil. Até que minha visão mudou desde que li o livro "Uma jornada no Tempo" que por uma grande acaso do destino vim a adquirir na Bienal do livro em 2011.

Estava no stand da Record procurando livros para meus filhos quando o autor do livro nos abordou e começamos a conversar. Luiz Filipe Tsiipré mostrou-se uma pessoa simples e de uma rica sabedoria a respeito dos índios pois durante anos experimentou a convivência com os índios de nossa terra e também dos Estados Unidos e aprendeu lições valiosas que creio ser impossível mensurar.

Comprei seu livro e o deleitei com um prazer coadjuvante pois foi assim que me senti ao participar das narrações de suas aventuras auto-biográficas a respeito da convivência com esses povos, sua busca pessoal por uma direção espiritual, as questões políticas que envolvem o tratamento aos índios de nosso país, entre outros detalhes que só lendo para se deliciar.

Hoje, sendo dia do índio, lembrei do livro, lembrei dos relatos das lutas a favor desse lindo povo que é parte do que somos, e lembrei com tristeza que a vida deles não está nada melhor que antes e que são vítimas de preconceitos, julgamentos deturpados e absurdos a respeito de suas formas de viver.

Tenho a felicidade de ter uma amiga que conviveu com uma aldeia de índios no Acre por semanas e que sentiu-se religada a Natureza, a Deus e as mais valiosas virtudes enquanto conviveu com eles. Isso para mim é um testemunho que fala mais do que essas visões deturpadas que vemos por aí. E ai eu pergunto se seríamos nós os atrasados e os índios os evoluídos.

Sei que muitos vivem na marginalidade, pelo choque cultural em que se encontram, inseridos numa cultura de competição quando ainda sobrevivem de forma comunitária em suas Aldeias. Diariamente empurrados para terras improdutivas que muitos dizem ser "o melhor para eles", lhes restando a caça e pesça silvestre sem menor condição de uma agricultura familiar ou pecuária de subsistência.

Triste saber que são vítimas da violência daqueles que querem seus territórios, com o pretexto do progresso e que violam os princípios básicos de cuidado com a Terra.

O etnocentrismo é uma das formas mais cruéis de exercer preconceito pois quando colocamos nossa cultura e crenças acima e melhor do que aqueles não conhecemos, sequer convivemos, estamos na contra mão dos ensinamentos de amor, respeito e harmonia entre os povos pregado por tantas religiões e movimentos políticos pacifistas.

Julgar sem conhece-los, sem conviver dentro de suas culturas, sem trocar conhecimento é muito fácil. Aliás é o que o homem "civilizado" mais faz! Julga a partir do que acha que é certo, não se permite abrir para novos conhecimentos, e com sua arrogância ariana "civilizada" empurra para a marginalidade todos aqueles que não são "normais" como eles.

Está na hora, nesse novo milênio, nova Era e neste momento de Transmigração de termos uma atitude mais aberta a ouvir o que outros povos tem a dizer sobre si, e parar de achar que nós somos os donos da história. Além de clichê e brega, esse discurso de superioridade racial já caiu de moda há muito tempo!!!!!

Por isso, vamos celebrar esse dia, com o desejo sincero que esses irmãos sejam ser mais respeitados e valorizados em nosso país!!!!


domingo, 15 de abril de 2012

Primeiro desembarque

Hoje tive a felicidade de encontrar um blog sobre arte terapia, falando sobre a escrita como uma das formas de terapia. Achei curioso pois há muito tempo eu não escrevo algo interessante em meu antigo blog, mas venho sendo incomodada há algum tempo por uma voz interior que insiste em dizer que devo voltar a escrever.


O problema é que não sei bem sobre o que devo escrever. E a falta de inspiração, de direção, de vontade foram me consumindo de tal forma que depois de uns 5 anos neste impasse, eu larguei de mão um blog onde escrevia regularmente as minhas crônicas descompromissadas.


Antes dessa antiga aventura blogueira, há exatos 10 anos atrás eu me arrisquei a escrever e publicar um romance bobo de 596 páginas, bem piegas e clichê sobre casais apaixonados e seus encontros e desencontros românticos.


E agora me encontrava sem inspiração, desafiada pelo post desse blog sobre Arte terapia, a escrever um comentário sobre o texto. Como adoro desafios, fui lá e escrevi meu comentário.


E ao escrevê-lo, fui percebendo e refletindo que ao longo desses anos lerguei aos poucos essa maravilhosa terapia da escrita e por motivos diversos, mas não únicos. Experiências vividas no campo dos sentimentos passionais Clarice Estefanianos (meu alter-ergo mexicano), depressão diagnosticada e tratada, e finalmente uma busca maior pelo meu caminho espiritual e pelo meu auto-conhecimento me levaram a sair da ficção dos contos e crônicas para ir para a reflexão introspectiva da fé e da minha própria existência.


Então, ao lembrar de como sentia um prazer quase orgástico e nirvânico de escrever, percebi que eram nesses momentos que eu "me encontrava", logo escrever é o melhor caminho para chegar até eu mesma e talvez a resposta para "a grande questão U2 para a vida": I still haven't found what I'm looking for (eu ainda não encontrei o que estou procurando).


Se a resposta está dentro de mim, e se a escrita é o caminho que me fará navegar até mim mesma, então não há duvida de que é mais do que a hora de recomeçar!!!


Pois bem, desafiada por este blog que acabei de ler, e respondido o comentário,  eu acabo de criar este Porto de Letras, onde pretendo desembarcar textos que me ajudem a refletir sobre essa gostosa aventura de navegar pelo mar de imensidão chamado vida, deixando para trás o blog do mundo creme com a certeza de que ciclos existem para serem terminados dando lugar para novos começos.


Bem vindo a este porto de letras, onde as palavras escritas ou cantadas serão sempre muito bem desembarcadas.


Raquele Braga, 16 de Abril de 2012